quarta-feira, 11 de junho de 2008

Crônica do Dia dos Namorados

Sinara queria descobrir. Fazia quase duas semanas que ela desconfiava do marido, mas não tinha coragem de segui-lo. Apesar da desconfiança, não se sentia no direito de invadir a privacidade de alguém e se desprender de valores éticos e morais. Mas Carlos chegava todos dias tão exausto, sem ânimo para nada. Nada mesmo. Sinara não entendia porquê.
Chegou a cogitar que estava meio gordinha, por isso entrou na academia e aderiu a um regime. Emagreceu um pouco, mas nunca tantos homens a paqueraram na rua. Afinal, o que havia com Carlos? A moça tinha 27 anos, não estava mais agüentando jogar sua vida fora com um homem que não correspondia a suas expectativas e mais, não correspondia ao amor que ela oferecia todos os dias, às 23h, quando ele chegava.
Com a aproximação do Dia dos Namorados, Sinara pensou em um último plano, algo que seria a cartada final, a última tentativa de fazer seu casamento ser, pelo menos, mais feliz. Mas ela precisava de uma certeza: se o marido estava, ou não, traindo-a. E Esquecendo todos valores que seu pai passou, durante anos criando as filhas sozinho, e que a fez ser assim: uma pessoa de caráter. Ela chegou a refugar, mas tomou a posição de que ia descobrir essa história, estava cansada de se sentir enganada.
Seu primeiro passo foi pesquisar preços de câmeras digitais e gravadores no jornal. A consciência começava a pesar quando ela se deparava com notícias que a faziam se sentir “um ser humano normal”: ‘18 câmeras vão vigiar o parque’; ‘Feijó: "Tudo que é de governo eu posso gravar"’. Ela não queria gravar a vida de milhares de pessoas que sequer conhecia. Ela queria gravar a vida do marido e, afinal, ela não era “vice-esposa”, não só podia como tinha o direito de gravar as conversas do cônjuge.
O dinheiro que Sinara tinha ganho vendendo produtos de beleza para as amigas foi investido nisso. Era o futuro do seu relacionamento que estava em jogo. Valia a pena. A máquina era boa. Tirava fotos, gravava vídeos, e caso não descobrisse nada teria utilidade no futuro, para perpetuar os futuros momentos felizes do casal. O gravador ela podia vender depois em qualquer saite de vendas da Internet. Todo mundo faz isso hoje em dia.
Carlos era advogado, tratava de direito tributário. Realmente era muito ocupado, sempre foi bem visto no ramo do direito, tinha contatos e, além do mais, a vida de luxo que a sua mulher tinha, era graças a sua dedicação. Na segunda-feira, faltando quatro dias para o glamuroso dia dos apaixonados, Sinara pegou seu New Beatle e foi fazer uma visita ao marido no seu escritório.
- Oi, Célia. Carlos está ocupado? – Célia era a secretária e braço direito de Carlos.
- Bom dia, dona Sinara. O dr. Carlos está em reunião, mas vou avisar que a senhora está aqui.
Célia ligou. Carlos pareceu surpreso e disse que em dez minutos atenderia a esposa.
Passados os dez minutos, Sinara se dirigiu ao escritório e lá ficou. Conversou com Carlos e, sutilmente, enquanto ele se distraia no computador, implantou aquele gravador, por baixo das folhas espalhadas. Inspirou-se no vice-governador. Estava preparada para fazer uma descoberta. A câmera foi colocada em cima do armário, bem escondida. Ela mostraria as imagens. Quem seria a cachorra?
Sinara passaria novamente no escritório no dia seguinte, pelo fim da tarde. Célia tinha lhe dito que ele teria uma audiência.
De noite, um pouco mais cedo, às 22h, Carlos chegou. Cansado, ranzinza, como de costume. Mas, parecia trazer mais alguém. Era seu pai.
- Pai?! O que está acontecendo?
O velho estava tão fraco que passou reto em direção ao quarto. Carlos foi direto ao assunto: explicou para Sinara que seu pai estava com um problema grave de saúde. Ficou sabendo fazia mais ou menos duas semanas, estava tentando resolver a situação sem preocupar a mulher. Chegava em casa todos dias mais tarde porque ficava com ele no hospital até as 22h30, que era o fim do horário de visitas. Temia contar para a esposa, pois sabia como ela valorizava qualquer data comemorativa – No dia da árvore, ela plantava uma em algum parque da cidade –, confiava na melhora do sogro, por isso tentou omitir da esposa. Entretanto, o velho, que conseguia ser ainda mais ranzinza que Carlos, reclamava todos os dias de ficar naquele hospital:
- Onde está meu pijama? Eu quero as minhas pantufas. Me leve embora daqui! Quero ir para a minha casa.
Diante dessa situação, Carlos sem mais saber o que fazer, resolveu, naquele dia, segunda-feira, quatro dia antes do Dia dos Namorados, levar o pai da esposa para sua casa na esperança de que a filha lhe incentive a tratar seu problema de saúde.
Sinara parou. Olhou para o marido e se desesperou. Nem ela sabia que havia se casado com homem de coração tão bom, tão nobre. Ela estava apavorada com a situação do pai e, ao mesmo tempo, surpreendida com a atitude do marido. Ela precisava tirar aquele gravador de lá. E a máquina? Ela precisava tirar.
Na cabeça de Sinara, seguindo o pensamento maquiavélico, os fins justificam os meios. Ela estava preparada para se dar de frente com uma traição que justificaria toda aquela parafernália escondida no escritório, mas não. Deu-se de cara com a maior prova de amor.
- Vem cá, pai. Hoje tu vais dormir aqui em casa, no quarto de hóspedes. Tem umas pantufas que o Carlos usa às vezes, tu podes usar. Amanhã eu vou te levar pro hospital, pois não podes ficar sem medicação, muito menos sem os médicos por perto.
Vindo da filha, o velho cedeu.
Sinara foi dormir com aquilo na cabeça. Como pôde desconfiar que seu marido a estava traindo? Ela estava se sentindo mal. Não conseguia dormir. Precisava buscar aquele gravador e jogar a fita fora, pegar a máquina, cuidar de seu pai e, ainda, programar algo muito romântico para o dia dos namorados. Afinal, seu marido merecia. Fazia duas semanas que ele vinha chegando em casa mais tarde, cansado e ranzinza.
Enquanto sua adorável esposa colocava seu pijama para dormir, Carlos pegou seu celular e foi até a cozinha:
- Oi... Hoje não poderemos nos ver. Meu sogro voltou do hospital e acho que minha esposa está desconfiando de algo. Hoje encontrei um gravador na minha mesa.



* Créditos para Henrique Fietz, que colaborou para com o enredo.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Matador aos 16 anos

Confissões de um adolescente franzino e quieto estarreceram ontem o Estado.
O garoto de 16 anos declara ter cometido 12 assassinatos nos últimos oito meses no Vale do Sinos. Pairam dúvidas sobre se ele é mesmo autor dos crimes. Caso isso se confirme, pode ser um indesejável recorde na história do crime no Rio Grande do Sul.
Morador do loteamento Kephas, na periferia de Novo Hamburgo, L. foi preso ao ser procurado pela Polícia Civil por um assassinato. O adolescente se escondia na casa de um assaltante foragido. Para surpresa, admitiu outros cinco homicídios.
Ouvido mais uma vez pelos policiais da 4
ª DP de Novo Hamburgo, L. disse ser autor de 12 homicídios, mas não forneceu novos detalhes, sequer o nome das supostas vítimas.
O delegado Enizaldo Plentz vê com reservas a confissão das 12 mortes, mas está convencido de que pelo menos a metade vai parar mesmo na conta do adolescente. Em cinco casos existem testemunhas de que L. seria o autor. Com relação ao sexto, o jovem dá riqueza de detalhes.
O adolescente afirma que matou por vingança. Seria o caso de Elúcio Ramires, comerciante de 39 anos e dono de um salão de baile, com antecedentes criminais por roubo e receptação. Ele teria dado um tapa em L. para impedir que ingressasse no local.
(...)
Entre a loucura e a delinqüência
L. diz que sempre matou por vingança, traça de si mesmo um perfil de justiceiro, mas a verdade pode ser outra. Zero Hora entrevistou pelo menos quatro moradores da Vila Kephas que conhecem o adolescente. Eles garantem que o rapaz começou matando por raiva, mas depois começou a aceitar dinheiro para cometer homicídios.
(...)

Frases

João Batista Saraiva, juiz da Infância e da Juventude de Santo Ângelo

"É um equívoco reduzir a maioridade penal para diminuir a impunidade."

Marco Antônio Barbosa Leal, juiz aposentado e ex-presidente do TJ

"Não tem sentido esperar até 18 anos para um indivíduo responder por seus crimes."

(...)

Para especialistas, regeneração é difícil

O adolescente com jeito de criança que confessou 12 mortes usou do deboche ao explicar a razão de identificar apenas seis das suas vítimas.
- Os outros a polícia vai ter de descobrir - desafiou .
O garoto de 1m60cm e cerca de 50 quilos falou à imprensa nas dependências da 4
ª
DP de Novo Hamburgo. O delegado Enizaldo Plentz sugeriu outra explicação para a postura:
- Sabemos que ele também assalta, embora ele negue. Ele não quer nos dizer nada sobre esses outros seis homicídios porque deve ter tido a participação de um comparsa, um foragido. Acredito que ele está encobrindo esse comparsa.
Vestindo uma camisa do Grêmio, bermuda jeans e um tênis Adidas, o garoto bem articulado disse estar arrependido por ter tirado vidas. Mas em seguida se contradisse:
- Ainda quero matar quem matou meus primos. Mas não vou atrás deles. Um dia vou encontrar com eles na rua. Aí eu atiro.


Essa notícia foi tirada da edição de hoje da Zero Hora. Eu já tinha visto na televisão sobre ela, mas chegando no trabalho, ao ler o clipping tive a oportunidade de analisá-la na íntegra.
Ouço sempre dezenas de pessoas dizendo que "É tão normal, hoje em dia, saber notícias de morte, ou assassinato" e completam: "A gente nem se espanta mais".
Não sei quanto às pessoas que lêem meu blog, mas eu fico em estado de choque toda vez que leio uma reportagem sobre um absurdo desses. Acidentes de carro já me deixam assustada, histórias policiais dessa proporção me fazem pensar: Até quando?
A verdade é que essa história vai trazer de volta o debate da redução da idade penal. Na minha opinião, de cidadã sem nenhum conhecimento teórico ou prático de direito, sou completamente a favor dessa redução. Um guri que tem 16 anos, matou 12 pessoas, tem consciência dos seus atos vai ficar detido por apenas 3 anos? E o máximo que um menor pode ficar na FASE é até os 21. Depois disso, ele é solto e só será preso novamente quando e se cometer outro crime, ou seja: vamos esperar ele matar a 13ª pra prendê-lo na cadeia?
É claro que crimes como assalto ou até tráfico, devem ser analisados de forma diferente, e a prisão de um adolescente quanto a isso pode ser analisada como algum desvio de conduta, mas assassinar friamente DOZE pessoas???????? São DOZE famílias destruídas. Seja qual for o caráter dessas pessoas, quem deu a esse guri o direito de julgá-las? Quem falou pra ele que um homem que não o deixou entrar em uma festa merece o fim da sua vida? E se ele tem esposa? A mulher dele, merece? E os filhos? Isso não pode ser tratado como uma coisa natural, uma rotina.

Hoje minha mãe estava me trazendo aqui pra AJURIS. A gente veio pela Ipiranga e eu fiquei uns 10 minutos %*&$?!% da cara falando mal das pessoas que fazem do arroio dilúvio um esgoto a céu aberto. Eu pensei: "Poxa, será que as pessoas não tem consciência?". Não sei nem o que pensar de alguém que mata seres humanos com a mesma facilidade que põe o pijama e dorme todos os dias.

Enfim, é isso. Deixo essa incógnita sobre a maioridade penal e a incógnita principal desse post: Por onde andam as pessoas de caráter?

quinta-feira, 13 de março de 2008

'Notícias que vão mudar o mundo'




Tem certas notícias que causam certo impacto na vida da gente, mas essa de fato ultrapassou qualquer limite. BRITNEY SPEARS COM OLHEIRAS!! Me pergunto se o mundo já será dividido entre antes e depois de informação tão importante. O Fidel ter renunciado, o governador de Nova York também... Nossa, isso é fichinha perto de tamanho furo de reportagem.
Esse é o tipo de notícia que eu vou guardar pra mostrar pros meus netos.
Depois não se sabe por que dizem "Qualquer um pode ser jornalista"...

sábado, 8 de março de 2008

Dia da Mulher

Manifesto contra a mulher
David Coimbra

Dia da Mulher, francamente. Não queria escrever sobre, mas tive. Porque a Cláudia Ioschpe, do Clic, pediu-me um texto para o blog dela, e eu não iria recusar um pedido da Cláudia Ioschpe, tão cordial que é. Porém, decidi tecer um texto de protesto, um manifesto contra a dita mulher moderna, no qual me baseei para traçar o que se segue abaixo.
Bem. Em primeiro lugar, quero deixar alguns pontos claros. Um é fundamental. O seguinte: Nenhuma mulher paga, estando com David Coimbra. É de lei isso. Pouco se me dá que você reclame:
- Sou emancipada! Sou livre! Ganho meu próprio dinheiro!
Não me importam suas queixas. Pagarei a conta.
Tem mais: ainda que você seja feminista, independente, liberada, dona do seu nariz, não adianta: vou continuar mandando-lhe flores, fazendo-lhe massagens, chamando-a de linda, elogiando o pequeno nariz do qual você jura ser proprietária e também seus olhos coruscantes, verdes de um verde que não existe, vou continuar achando que você é a princesa, a rainha, a imperatriz!
Pode protestar! Pode reclamar! Pode me chamar de chauvinista! Será em vão. Continuarei achando que você é frágil, que precisa de alguém que lhe dê segurança, que precisa de cuidados, carinho, proteção. Continuarei fazendo todas essas coisas que você odeia que eu faça.
*Texto publicado hoje na página 3 de Zero Hora


Talvez seria muito mais simbólico, nesse dia "tão especial" homenagear as mulheres colocando o texto de alguma grande alma feminina. Preferi o do David Coimbra. Primeiro porque eu admiro muito ele, penso que, como jornalista, ele é completo: trabalha em um jornal bem sucedido como diretor do caderno de esportes, trabalha no rádio e na TV, e ainda escreve livros. Geralmente eu gosto muito do que ele escreve, mesmo algumas pessoas achando ele bem machista. Eu discordo, acho ele bem sarcástico e irônico e acho isso ainda mais admirável. Coloquei esse texto porque concordo com cada palavra nele contida.
Eu, particularmente, adoro esse dia. Recebo uns parabéns de pessoas meio desconhecidas e sempre tem uns que te deixam recados no orkut com versinhos bonitos sobre a delicadeza e fragilidade da mulher. Além do mais, hoje fui de graça no jogo do Inter. Que coisa boa! Entretanto, não consigo compreender o motivo da existência desse dia, sem o seu oposto: Dia do Homem. Tem dia das mães e dia dos pais, se as mulheres querem tanto igualdade, acho que deveria ter um dia dos homens. Ou será que o dia da árvore já faz esse papel?
Mas os homens nunca sofreram discriminações. Os homens ganham mais. Os homens são mais fortes.
POXA! Eu digo sempre: mulher é bixo ruim. Reclama de tudo, demora pra se arrumar e, ainda por cima tem TPM.
Afinal, que papo é esse de igualdade? A igualdade existe para aqueles que se esforçam por ela, através de merecimento. É óbvio que os homens são mais fortes, e eu realmente espero que homens dirijam melhor que mulheres. Existem diferenças entre os sexos e, na minha opinião, as mulheres buscam essa igualdade absoluta até a parte que lhes convém.
Eu não sou fresca, não me importo de dividir a conta. Mas acho muito gentil um homem se oferecer para pagar. É uma questão de "Gentileza gera gentileza". Devo admitir, humildemente, que homens tem algumas qualidades que as mulheres não têm (por sinal, parece que esse acento circunflexo sairá da língua portuguesa. Interessante, não?), por motivos lógicos: somos seres diferentes. As mulheres também tem suas próprias qualidades. É mais ou menos que nem eu ficar indignada porque o gato que eu ganhei não é igual ao cachorro do meu vizinho. Mulheres tem suas peculiaridades e isso as faz tão necessárias. O instinto de amor e carinho da mulher, de proteção e companheirismo sempre será maior. Mulheres reclamam, mas abrem mão de tudo pelas pessoas a sua volta. Se nós somos frágeis? É óbvio! Elas se doam e isso as faz mais intensas.
O Dia da Mulher é umaa homenagem a tantas que não tiveram seus direitos, entretanto, concordo com o David quando ele faz um protesto contra a mulher moderna. Pensar sobre isso. Eu acho que as mulheres deveriam ter mais espaço no mercado de trabalho, é claro, mas isso é questão de esforço, sou da filosofia do Renato Russo: Quem acredita sempre alcança. E querer igualdade com seres tão diferentes de nós, ultrapassa o bom senso e acaba sendo até meio hipócrita. E aposto que essa característica nenhuma mulher quer ter atribuída para si.

FIM.

Pontos a esclarecer: Caso alguém seja limitado o suficiente para considerar meus comentários de forma generalizada gostaria de frisar: apenas caracterizei os diferentes sexos baseado na maioria, sempre existem exceções.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O começo de tudo

Desde que eu entrei na faculdade de jornalismo, há 1 ano, ouvi conselhos de criar um blog, mas sempre acabava deixando pra depois simplesmente por preguiça. Depois comecei a pensar: "Ninguém vai ler mesmo essa porcaria, não tem porquê." e realmente a idéia não foi colocada em prática. Mas, resolvi seguir os conselhos do Jô e criei este aqui, afinal esses dias de tédio nas férias estão acabando comigo.
Eu gosto bastante de escrever, e provavelmente por isso escolhi seguir a profissão de jornalista, gosto muito de analisar também, qualquer tipo de situação e pessoas, procuro entender o que se passa em cada momento e em cada mente. Geralmente eu não consigo, por isso vou usar esse blog essencialmente para expor meus devaneios relacionados às minhas observações.

Como esse é o primeiro post, acho válido dar algumas explicações:
1) Coloquei esse título nada relacionado ao que será escrito aqui porque eu gosto de cantar. Sei lá. O blog é meu, eu gosto de cantar, acho que é uma forma de espantar as energias negativas e mesmo que essa frase seja um tanto quanto clichê, eu acho ela bastante sábia. Ela é curta, eu sou da teoria "Bauhaus" de que o menos é mais. Praticidade, falar muito em poucas palavras.
2) Em geral vou evitar falar de assuntos polêmicos aqui. O motivo é simples, acho que assuntos polêmicos devem ser discutidos e não palestrados em um monólogo. Como eu me considero uma pessoa de mente bastante aberta a novas idéias e opiniões, acho que dar a minha opinião sem ter alguém pra retrucar, simplesmente não faz sentido.
3) Além dos devaneios já citados que eu pretendo apresentar aqui, ainda vou colocar textos, fotos, enfim, qualquer tipo de coisa que eu ache interessante ou engraçado.

Na esperança de que algum desconhecido possa vir a cair por aqui gaiatamente farei uma breve apresentação:
Meu nome é Bruna Ostermann, como eu já disse faço jornalismo, e não, eu não sou parente do Ruy Carlos Ostermann. Essa pergunta eu ouço praticamente desde o primeiro dia que eu entrei na escola, exceto os 2 anos e meio que eu morei em São Paulo. Quando eu era beeem criança, eu achava legal e me sentia importante, mas hoje em dia já cansei de responder à ela.
Adiante, em geral eu falo bastante, mas ainda assim prefiro escrever. Já ouvi de muitas pessoas e tenho plena consciência de que eu consigo expor melhor meus sentimentos com uma caneta e um papel. Não sei se isso é sorte ou azar, mas até agora não chegou a me prejudicar, talvez um dia eu descubra. Tá aí um assunto que eu só falo quando é em um monólogo: sentimentos. Eu escrevo porque acho melhor para colocar em ordem meus pensamentos e principalmente pra pensar bem antes, e não me arrepender do que sair pela minha boca. Já ouvi muitas pessoas dizerem que eu sou muito racional, quando na verdade eu sou tão passional. Eu penso que existem situações para determinados tipos de atitudes e por isso tenho tentado separar os dois lados. Acho que venho atingindo meu objetivo nos últimos meses, principalmente devido a tantos acontecimentos.
Tem gente que acha egocentrismo a pessoa ficar um baita tempo falando só de si, eu até concordo, mas acho bastante admirável alguém conseguir se descrever de forma fiel. Eu acho que sou uma dessas pessoas, felizmente eu não tenho problemas em salientar minhas qualidades, e acho que isso faz de mim uma pessoa bastante positiva. Esses dias ouvi da minha melhor amiga "Ai Bruna, tu tá sempre com esse teu otimismo, achando que tudo tem jeito", ela falou num tom meio alto e brabo, mas eu levei como um elogio, aliás, um dos mais legais que eu já ouvi. Na verdade otimismo é uma característica que te é atribuído com o tempo. Tu passas a ver tantas coisas, a ter tantas experiências, que percebe que o mundo vai além de um azar aqui, outro ali. Para ilustrar, vou dar um exemplo de um acontecimento bem recente: meu carnaval. Eu e minhas amigas resolvemos ir para Porto Belo no carnaval. Minha mãe, como boa hiper-mega-ultracuidadosa que é, me vetou de pegar carona e pagou o ônibus pra mim. Eu achei bom, porque acho esses ônibus leitos muito confortáveis e eu podia passar as 7 horas e meia de viagem lendo meu livro ( O Homem que inventou Fidel - Anthony DePalma ). Enfim, foi eu e mais duas amigas minhas para a rodoviária quinta-feira para pegar o nosso rumo. Entramos no ônibus e fomos, a situação infeliz foi que estava caindo uma tempestade em SC, tão forte, que destruiu um pedaço da BR101 e que fez nossa breve viagem durar 22 horas. Sim, VINTE E DUAS HORAS. Quase um dia inteiro pra ir de Porto Alegre, até Porto Belo, que fica há 1 hora e meia de Florianópolis. A situação é: os nervos ficaram a flor da pele. Paramos em um posto que de tão cheio, tinha pouca comida, e também não era o lugar mais limpo que eu já entrei. Foi muito stress e a única coisa que eu dizia pras gurias (além de estar puta da cara com a empresa, mas isso não será discutido no momento) era: Se tá dando tudo errado agora é porque algo de muito bom vai acontecer depois. Enfim, não deu outra. Nosso carnaval foi muito bom, não só pela festa, mas pela companhia, pelos passeios, pela amizade que se fortaleceu.
Tá. Eu admito que essa não é uma linda história de vida, dramática, que aprendemos com os nossos tombos, mas era apenas um exemplo de otimismo em uma situação de pouca paciência e bastante revolta com a falta de consideração da empresa com seus passageiros.
Acho que depois dessa lição de moral gratuita, fico por aqui.